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sexta-feira, 18 de março de 2011

Divisão de Cotas - Cadê a justiça?

O futebol brasileiro passa por um momento delicado, devido a crise gerada pela negociação das cotas de TV do triênio 2012-14, porém essa crise abre espaços para outros questionamentos sobre o futebol brasileiro e mundial. Esquecendo a questão das guerras das emissoras, CBF e Clube dos 13, pelo poder sobre o futebol nacional, vamos dar atenção especial aos valores que estão sendo negociados e o mais importante, como são geridos esses valores pelos clubes.

Neste momento a discussão gira em torno de quanto será o novo contrato de transmissão, os valores sem dúvidas irão aumentar (e muito), só na TV aberta a expectativa de que mais que dobrassem foi alcançada, saltando dos R$ 250 mi anuais, para pelo menos R$ 516 mi anuais (valor ofertado pela RedeTV), que poderia ser bem maior, tendo em vista que a RedeTV possuia um envelope com proposta entre R$ 700 mi e R$ 800 mi, não o usou por falta de concorrentes. Esse valor pelas cotas que deve aumentar com a negociação individual de cotas, devido a disputa de Globo e Record, para negociar com os clubes.

Nessa negociação individual, os clubes que detêma maiores torcidas tentam abocanhar uma maior fatia do bolo, aumentando sua distância para os demais. O argumento utilizados por esses clubes, principalmente é o de que por terem maior torcida e gerarem maior audiência, merecem receber mais dinheiro que os outros. Mas afinal, estes clubes recebem mais dinheiro, por que tem maiores torcidas ou tem maiores torcidas por que recebem mais dinheiro? E principalmente, até onde esse argumento de que merecem receber mais por terem maior torcida é válido?

No Brasil, a divisão de cotas era feita até o ultimo contrato pelo Clube dos 13, que criava faixas de valores, os famosos Grupos, onde os clubes eram alocados, sem nenhum critério técnico, critérios meramente políticos. Até essa ultima divisão, a divisão dos grupos se dava da seguinte maneira:

GRUPO 1: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco e Palmeiras
GRUPO 1a: Santos
GRUPO 2: Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Botafogo e Fluminense
GRUPO 3: Bahia
GRUPO 4: Guarani, Portuguesa, Sport, Vitória, Goiás, Atletico Paranaense e Coritiba
GRUPO 5: Convidados (Participantes da Serie A, não pertencentes ao C13)

Sobre esse sistema, algumas perguntas:

Por que o Santos está isolado em um grupo intermediário? Maior torcida? Melhor desempenho em campo? Qual o critério para essa divisão? E principalmente: Por que clubes que disputam a 2ª divisão tem direito a receber dinheiro referente a transmissão da 1ª divisão?

Essas perguntas, até têm respostas, mas essas respostas não são boas justificativas, falta critério técnico para divisão das cotas. Critério que é adotado por exemplo na Inglaterra, a Premier League (que é considerada a maior e melhor liga do mundo), adota um sistema de divisão de cotas da seguinte maneira:

50% dividido igualmente entre todos os clubes.
25% pelo desempenho no ultimo campeonato
25% pela audiência gerada

Na Itália, que possui uma das melhores ligas do mundo, os direitos eram negociados individualmente, o que gerava uma grande disparidade entre os grandes e os médios/pequenos clubes, percebendo isso, o Ministério dos Esportes interviu e recomendou que a venda dos direitos fosse feita de modo coletivo e um critério técnico de divisão fosse adotado, resultando em um contrato de R$ 1,7 bi de reais por temporada, divididos assim:

40% divididos igualmente entre os clubes
30% pelo desempenho no campeonato anterior
30% pelo tamanho da torcida

Conclusão da 1ª parte: É necessário criar uma liga no Brasil e definir critério bem claros de merecimento na divisão de cotas, para que assim, todo clube tenha condições de por merecimento próprio, aumentar ou reduzir sua participação nas cotas. Se os clubes tem uma grande torcida que a usem para ganhar dinheiro principalmente com ações de marketing. Para criação deste modelo, caberia inclusive a intervenção do Ministério dos Esportes e outros orgãos governamentais, devido aos problemas gerados devidoa essa guerra de interesses.

Em breve postarei a 2ª parte, sobre a gerência dos recursos, o grande problema do futebol brasileiro e mundial.

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