Toda torcida possui suas peculiaridades, suas tradições e seus trejeitos que a identificam e diferenciam das outras. Com a torcida do Bahia não é diferente. Entre os costumes da torcida do Bahia, existe um, que costuma passar despercebido até pelo torcedor mais crítico ou corneteiro. “Fulano é um bom reserva”, “Ciclano é um bom reserva para Série A”, “Beltrano pode jogar o baiano e para a Série A é um bom reserva”.
Se identificou com alguma dessas frases? Já ouviu algo parecido em algum lugar, quando o assunto era o Bahia? Pois é, esse é um vício de muitos torcedores, que só mostra o reflexo de ações da nossa (eterna) diretoria, por que isso ocorre?
Por quais razões o torcedor costuma qualificar alguns jogadores como “bom reserva”, sendo os jogadores contratados devessemm ter condições de serem titulares? Afinal, qual time joga com 11 reservas? Os motivos são os mais variados possíveis. Existem jogadores que não possuem muita qualidade técnica, ou na opinião da torcida não teriam condições de jogar a Série A, automaticamente, devido a empatia criada entre o jogador e a torcida, o mesmo vira um “bom reserva para Serie A”, caso de Alison (para alguns torcedores antes de sair para o Vice) e Jael (quando ainda estava no clube). Esses jogadores podem ter qualidade para serem titulares na Serie A ou não ter qualidade nenhuma para disputar a mesma, mas vão para o grupo de “bom reserva” motivado pela desconfiança da torcida.
Existe ainda outros tipos, como aquele jogador que está jogando em alguma equipe de pouca tradição e tem um bom desempenho, tanto em sequência como contra o Bahia, nesse caso, posso citar Júnior Xuxa que quando defendia o Icasa e fazia uma boa Série B, alguns torcedores pediam sua contratação como “bom reserva”. Mais recentemente, o bola da vez foi Sassá do Ipitanga, variando entre os fiéis apoiadores e contrários, houve quem o indicasse para como “bom reserva” para a Série A como sendo melhor jogador que Robert, Souza e Pedro Beda e houve quem “execrasse” o jogador, afirmando até que ele era feio demais para jogar no Bahia.
Além desses casos, existe os jogadores que vão da classificação de incompetentes sem serventia a “bom reserva”, caso de Fernando (goleiro), que ao chegar no clube, foi muito questionado por ter sido jogador do Ipatinga e falhar em alguns momentos. Depois que foi dispensado teve seus apoiadores e algumas poucas pessoas que o apontavam como “jogador de Série B”, meses depois, muitos voltaram, clamando pelo seu retorno devido às boas atuações no Campeonato Paulista, dizendo que o mesmo se tratava de um “bom reserva” para Omar, ou por ser melhor que Tiago. Assim como Jancarlos antes de estrear pelo Bahia, foi apontado como um lateral fraco, que não tinha dado certo no Cruzeiro e Botafogo e rapidamente conquistou a torcida, mas não escapou esse ano de ser apontado como apenas “bom reserva” para Serie A por alguns. Enquanto Marcos, em 2009, conquistou seus fieis partidários, devido talvez a sua “boleiragem”, por pedalar, tentar fazer o algo a mais, mas sendo muito ineficiente, tanto no apoio como marcando, esse ano já variou de titular absoluto a bom reserva, passando pela inclusão de eu nome na lista de dispensas.
Aproveito o texto para ressaltar outra característica do torcedor do Bahia. A vontade de estar sempre certo. Quando o torcedor não gosta de algum jogador ou técnico, e pensa que com essa pessoa o time não dará certo, chega ao ponto de secar o próprio time, para que no final das contas tenha razão. Isso vale também, para contratação de pessoas, como, vimos esse ano um torcedor dizer que Joel Santana não viria e ponto final, quando as especulações em torno da chegada de Joel ficaram forte, o mesmo sumiu, mas quando foi confirmado que ele não viria, o mesmo, apareceu, se vangloriando por ter antecipado a “bomba”. Essa característica se extende aos jogadores que deixam o clube, onde alguns torcedores chegam a torcer para que ao jogar contra o Bahia, o mesmo faça um grande jogo e um, dois, três, ou quatro gols, para que a diretoria perceba o erro que cometeu (na opinião do torcedor, é claro).
E essa é a torcida do Bahia, que possui como todas as outras seus trejeitos, mas alguns deles, estranhos, onde colocam profissionais acima da instituição (clube) e desejos pessoais menores, acima das expectativas como torcedor (ser contra o esquema de 3 volantes, mesmo que esse dê certo). 3 volantes? Coisa de técnico retranqueiro. Mesmo que o time faça muitos gols.
